Em 1928, aconteceu a união de Aurea Déa Portela e Aderson Ribeiro Sampaio. Aderson, aos 32 anos, era viúvo de Nazareth, filha de Zeca Mendes, com quem teve um casal de filhos. Aurea tinha 16 e, após o casamento, passou a cuidar da enteada de 6 anos. O curioso era que nem Aurea, nem Aderson, nem sua finada esposa eram estranhos um para o outro, pois moravam num trecho de 100m do mesmo quarteirão largo da Av. Vicente Pacheco.Aderson era filho do Cel. Benício e da D. Ana e Aurea, de Eudoro, o já falecido sacristão da igreja de Santo Antônio, e de D. Lelé. Moraram em algumas casas no centro da cidade e somente anos depois adotaram a Fazenda São Joaquim, herança do Coronel, como endereço oficial. Tinham a rotina peculiar de estarem sempre de mudança, conforme o produto agrícola que estivesse em safra: na estiagem, o São Joaquim era perfeito para o gado, pois ficava a meio quilômetro da Praça Bona Primo e nas margens do Rio Surubim; na cheia do rio, o gado tinha de ser levado para a Conceição (perto da ruína do Fripisa, naquela época era longe como o quê). Entre os extremos, tinha as férias no Cadoz (mais afastado, onde se plantava cana e fazia farinha) e a temporada urbana, durante os Festejos, quando alugavam uma casa na Praça.
Em Cima, da esquerda pra direita: Eudoro, Salete, Anísio e Altair. Embaixo: Aurea, Zé Benício, Nazareth e um bebê novo membro do clã.
O casal teve oito filhos, entre 1929 e 1952: Nazareth (em homenagem à primeira esposa de Aderson), Maria do Carmo, Anísio (como o tio), Maria Altair (como a tia), José Benício (como o avô), Salette, Eudoro (como o outro avô) e Maria Aurea (como a mãe).
Por volta dos anos 50, a família fixou endereço na Praça. Morou de aluguel na casa que hoje é de D. Almerinda e também em casas de S. Gustavo, de D. Maria Augusta e de D. Ludy, a qual terminou por comprar e nela morou até o fim.
D. Aurea era submissa como esposa, mas engenhosa o bastante para contornar o gênio do marido. Tinha sua própria renda, costurando, bordando, fazendo croché, vendendo alguns produtos beneficiados da fazenda (a venda de carne e leite era a principal renda da família e cabia a Aderson, que possuía boa clientela em Campo Maior), o que lhe permitia alguma independência, bem disfarçada para não mexer com o ego do marido. Às vezes proibida de ir até à igreja, onde participava do Apostolado da Oração, dava um jeito de despistar o marido e saía escondida. N’outras situações, vigiava da janela a porta do Campo Maior Clube, onde estavam filhos ou netos, para nem lhes abrir demais a guarda, nem deixar que fossem descobertos pelo marido.
Aderson era de poucos sorrisos. Dizem que era bonitão, que tinha uma charmosa cara-de-mau, andava sempre de paletó e gravata, mas no fundo era mesmo um grande teimoso. um gago engraçado! Para deixar de falar com alguém, bastava não ir com a cara. Não alisava sequer genros nem noras (só o Antônio Castelo Branco, seu primo, e o Cordeiro, uma figura unânime), fosse funcionário do Banco do Brasil ou filho do prefeito. É engraçado que, quando achava que não havia ninguém por perto, desmanchava a cara sisuda e fazia gracinhas pros netos.
Também tinha a história de que o “território” dele era impenetrável: só cidadãos muito especiais podiam passar por sua calçada e a diversão da molecada era conseguir esse feito debaixo de suas ventas, quando ele se sentava à tarde para ver o mundo. Tem gente que diz que conseguiu enganá-lo, outros dizem que se divertiam só de fingir que iam subir a calçada pra vê-lo armar o contra-ataque; mas foi a pobre Ana Aldira, forasteira desavisada, que levou mesmo o grande pinote! A lagoa do São Joaquim, quando era balneável, era a porta de acesso para os ladrões de goiaba que ele gostava de perseguir: a alegria maior dos meninos nem era conseguir goiabas, mas ouvi-lo praguejar gaguejando!
Aderson morreu aos 83 anos, meses depois de completar Bodas de Ouro (cerimônia à qual não se deu o trabalho de comparecer). D.Aurea, já com a saúde comprometida, teve mais alguns anos para aproveitar tardiamente sua alforria... mas, alvorocem-se as feministas, ela dizia até sentir saudades dos bodejos e ranhetices dele.
Fotos: Museu do Paulo&Bitorocara+
Por volta dos anos 50, a família fixou endereço na Praça. Morou de aluguel na casa que hoje é de D. Almerinda e também em casas de S. Gustavo, de D. Maria Augusta e de D. Ludy, a qual terminou por comprar e nela morou até o fim.
D. Aurea era submissa como esposa, mas engenhosa o bastante para contornar o gênio do marido. Tinha sua própria renda, costurando, bordando, fazendo croché, vendendo alguns produtos beneficiados da fazenda (a venda de carne e leite era a principal renda da família e cabia a Aderson, que possuía boa clientela em Campo Maior), o que lhe permitia alguma independência, bem disfarçada para não mexer com o ego do marido. Às vezes proibida de ir até à igreja, onde participava do Apostolado da Oração, dava um jeito de despistar o marido e saía escondida. N’outras situações, vigiava da janela a porta do Campo Maior Clube, onde estavam filhos ou netos, para nem lhes abrir demais a guarda, nem deixar que fossem descobertos pelo marido.
Aderson era de poucos sorrisos. Dizem que era bonitão, que tinha uma charmosa cara-de-mau, andava sempre de paletó e gravata, mas no fundo era mesmo um grande teimoso. um gago engraçado! Para deixar de falar com alguém, bastava não ir com a cara. Não alisava sequer genros nem noras (só o Antônio Castelo Branco, seu primo, e o Cordeiro, uma figura unânime), fosse funcionário do Banco do Brasil ou filho do prefeito. É engraçado que, quando achava que não havia ninguém por perto, desmanchava a cara sisuda e fazia gracinhas pros netos.
Também tinha a história de que o “território” dele era impenetrável: só cidadãos muito especiais podiam passar por sua calçada e a diversão da molecada era conseguir esse feito debaixo de suas ventas, quando ele se sentava à tarde para ver o mundo. Tem gente que diz que conseguiu enganá-lo, outros dizem que se divertiam só de fingir que iam subir a calçada pra vê-lo armar o contra-ataque; mas foi a pobre Ana Aldira, forasteira desavisada, que levou mesmo o grande pinote! A lagoa do São Joaquim, quando era balneável, era a porta de acesso para os ladrões de goiaba que ele gostava de perseguir: a alegria maior dos meninos nem era conseguir goiabas, mas ouvi-lo praguejar gaguejando!
Aderson morreu aos 83 anos, meses depois de completar Bodas de Ouro (cerimônia à qual não se deu o trabalho de comparecer). D.Aurea, já com a saúde comprometida, teve mais alguns anos para aproveitar tardiamente sua alforria... mas, alvorocem-se as feministas, ela dizia até sentir saudades dos bodejos e ranhetices dele.
Fotos: Museu do Paulo&Bitorocara+









