
-“Vamos lá, nada de mentira!”.
Este era o lema e grito de guerra usado como gozação por parte do "fogoió” saxofonista que o João Sérgio havia importado das Barras do Marathaoan. A “mentira”, na versão do Cleômenes, eram os acordes (notas musicais) falsos, na harmonia da música.
Da direita pra esquerda:
Zequinha (guitarra-solo),
Etevaldo (crooner) - esse era o “cara” que curtia com a cara de todo mundo, sempre pronto pra brincadeiras, mesmo sendo “carne e unha” com o sisudo e
sem graceza Zequinha; o
“Sapato” vez em quando também nos preocupava muito -;
Cleômenes (saxofone),
Netto (eu mesmo, na guitarra-base),
Joãozinho “piripiri” (bateria), e o braço do contra-baixo do
Corinto Brasil fora do foco do fotógrafo desconhecido.
Eram os “Amantes” já meio que desfigurado, sem a presença do
Ciçinho,
Baixinho e
Juvenal. Foi aí que o “maestro”, proprietário e safoneiro
João Sérgio, decidiu criar outro “conjunto” com repertório composto de músicas “pra frentex” e mais voltado para a urbanidade – até então, o João levava a turma pra todo canto dos mais longínquos e inusitados rincões do Piauí e do Maranhão.
Estava formado o “conjunto”
Os Elektrons. Enquanto isso ficava consolidada a vocação d’Os Amantes para as festas do interior; o forró, o xote, o baião, paixão do grande acordeonista João Sérgio, com a presença, aí sim, do Baixinho, Juvenal, Ciçinho e outros.
Meu hobby predileto n’Os Eléktrons, naquele momento, já tocando bateria, durou pouco menos de um ano. Estava na hora da debandada. Uma grande leva de estudantes saiam pra fazer o “científico” (Ensino Médio) na capital ou em outros Estados - aconteceu comigo e com o baixista Corinto. Parece-me que o guitarista-base, Lilito, também saiu. O prazer de ser músico estava indo para o espaço.
Mais tarde, 12 anos depois, o saudoso e amante de todas as músicas, João Sérgio, formou a atual Banda Spacial.
Momentos de deleitesCom essa formação d’Os Amantes aí na foto, não me sai da lembrança uma das festas mais “afobadas” e “chic” que marcou a cidade por aqueles dias: tocamos pela primeira vez em uma residência, na festa de aniversário de 15 anos da jovem
Mariema Paz, filha do casal
Tenente Jaime e
Mariema Paranaguá da Paz, hoje, Sra.
Washington Belchior. Outra curiosidade foi que justamente naquele dia o virtuoso baixista
Corinto foi acometido por uma febre tipo “tampa de chaleira” que literalmente o acompanhou em todas as músicas, durante toda a festa.
Mesmo assim, esses caras aí de cima, na foto, não só conseguiram deleitar os ouvidos dos convidados, como também atiçaram o exibicionismo dos pés-de-valsa e amantes da boa música, de todas as idades.
Foto gentilmente cedida pelo professor Marcos Soares, filho do saudoso Etevaldo Soares, conhecido carinhosamente por “Sapato”.