sábado, 1 de agosto de 2009

IRACEMA SANTOS - II

Momentos de desconfortos e glórias

"Às 9h da noite eu estava chegando do 2º parto do dia, cansada, é claro; quando bateu à porta o 3º chamado de parto; não tinha nem sequer trocado de roupa; saí apressadamente, o parto não demorou e às 11h da noite estava de volta; secava os pés, pois estava chovendo quando bateu à porta o 4º chamado de parto. Eu falei para minha mãe: “não agüento mais, estou exausta; peça desculpa por mim. Mamãe depois de ter conversado com o portador, me falou: “Irá, o chamado é daquela senhora que na semana passada, chorando veio te pedir para assisti-la, pois o médico tinha aconselhado que lhe procurasse”. Então falei que já estava indo. O parto foi concluído lá pelas 4h da madrugada e, como era previsto, aquela senhora perdeu muito sangue após o parto. A chuva a essa altura estava a cântaros. Olhei ao redor e pensei como me agasalhar, mas o que encontrei foram uns caixotes de troupeiros; emborquei-os deixando os lados declinados para o lado oposto da parede de palhas, fiz de minha capa o travesseiro e fiquei me sustentando com a mão no chão.
"Dormi o melhor sono de toda a minha vida. Acordei, o sol claro e com minha mão dormente, da posição e de ficar dentro d’água, pois a chuva forte fez entrada no casebre, de fora a dentro. Despertei e sorri, grata à Deus por ter cumprido minha missão e, o mais importante, foi, que o sono foi tão reparador, que nem uma unha me doía, pelo fato de tão desconfortável cama".
Computados: "Fiz 2.385 partos com êxito; nenhuma paciente faleceu em minhas mãos, a não ser, já na responsabilidade de um médico. Toda glória e honra sejam dadas a Deus, pois em todo os momentos da minha carreira profissional Ele esteve ao meu lado".

3 comentários:

Maria disse...

Uma linda estoria de vida,de quem ajudou muitos vir ao mundo.Que Deus a recompense,aqui e lá em cima ela encontre uma cama bem mais confortável!

zan disse...

D. Irá tem uma tia, que está na foto junto ao seu marido, meu amigo "seu" Nonato, que trabalhou como meu pai e era tratado em nossa casa como da família, que se chama Heroina, que tem mais de cem anos e mora em Fortaleza, se não me engano. D. Irá foi heroina em vida e em vida honrou o nome da tia.

Pr. Marcus Paixão disse...

Quanto a Heroína, irmã de Iracema Santos, ela é o nome mais importante da hstória evangélica de Campo Maior, depois de seu pai Joaquim Bostoque, que foi o pioneiro. A história de Heroina é bela e honrosa. Através dela, o trabalho batista teve início oficialmente, quando ela enviou uma carta solicitando a Primeira Igreja Batista de Teresina apoio para o trabalho que era realizado em sua casa, que era localizada de frente a praça 15 de novembro. Ela mora em Teresina, está prostrada mas bem assistida por sua família e tem completou 100 anos em maio.

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