segunda-feira, 3 de agosto de 2009

BAILES, FESTAS E TERTÚLIAS

-“Vamos lá, nada de mentira!”.
Este era o lema e grito de guerra usado como gozação por parte do "fogoió” saxofonista que o João Sérgio havia importado das Barras do Marathaoan. A “mentira”, na versão do Cleômenes, eram os acordes (notas musicais) falsos, na harmonia da música.
Da direita pra esquerda: Zequinha (guitarra-solo), Etevaldo (crooner) - esse era o “cara” que curtia com a cara de todo mundo, sempre pronto pra brincadeiras, mesmo sendo “carne e unha” com o sisudo e sem graceza Zequinha; o “Sapato” vez em quando também nos preocupava muito -; Cleômenes (saxofone), Netto (eu mesmo, na guitarra-base), Joãozinho “piripiri” (bateria), e o braço do contra-baixo do Corinto Brasil fora do foco do fotógrafo desconhecido.
Eram os “Amantes” já meio que desfigurado, sem a presença do Ciçinho, Baixinho e Juvenal. Foi aí que o “maestro”, proprietário e safoneiro João Sérgio, decidiu criar outro “conjunto” com repertório composto de músicas “pra frentex” e mais voltado para a urbanidade – até então, o João levava a turma pra todo canto dos mais longínquos e inusitados rincões do Piauí e do Maranhão.
Estava formado o “conjunto” Os Elektrons. Enquanto isso ficava consolidada a vocação d’Os Amantes para as festas do interior; o forró, o xote, o baião, paixão do grande acordeonista João Sérgio, com a presença, aí sim, do Baixinho, Juvenal, Ciçinho e outros.
Meu hobby predileto n’Os Eléktrons, naquele momento, já tocando bateria, durou pouco menos de um ano. Estava na hora da debandada. Uma grande leva de estudantes saiam pra fazer o “científico” (Ensino Médio) na capital ou em outros Estados - aconteceu comigo e com o baixista Corinto. Parece-me que o guitarista-base, Lilito, também saiu. O prazer de ser músico estava indo para o espaço.
Mais tarde, 12 anos depois, o saudoso e amante de todas as músicas, João Sérgio, formou a atual Banda Spacial.

Momentos de deleites

Com essa formação d’Os Amantes aí na foto, não me sai da lembrança uma das festas mais “afobadas” e “chic” que marcou a cidade por aqueles dias: tocamos pela primeira vez em uma residência, na festa de aniversário de 15 anos da jovem Mariema Paz, filha do casal Tenente Jaime e Mariema Paranaguá da Paz, hoje, Sra. Washington Belchior. Outra curiosidade foi que justamente naquele dia o virtuoso baixista Corinto foi acometido por uma febre tipo “tampa de chaleira” que literalmente o acompanhou em todas as músicas, durante toda a festa.
Mesmo assim, esses caras aí de cima, na foto, não só conseguiram deleitar os ouvidos dos convidados, como também atiçaram o exibicionismo dos pés-de-valsa e amantes da boa música, de todas as idades.

Foto gentilmente cedida pelo professor Marcos Soares, filho do saudoso Etevaldo Soares, conhecido carinhosamente por “Sapato”.

15 comentários:

Antonio - De Cuiabá (MT) disse...

Grande Neto,
Essa foto veio mesmo do fundo do baú. Eu, particularmente, me lembro d'Os Amantes. Fui a muitas "festas" embaladas por esse conjunto (hoje, o termo é "banda"), principalmente, no Grêmio Recreativo. Lembro, também, quando vc começou nessa banda e, ainda mais, do Etevaldo "Sapato", já que fui vizinho dele na Rua Eulálio Filho (nos fundos da casa de Zeca Mendes) - nessa época, eu morava ao lado da casa do saudoso Edmar (filho da dona Toínha), com quem participei das primeiras peladas na "Baixonha" e no "campim" (por que não El Campin?), que, sinal, nós, da Rua Pará e adjacências, construímos num sistema de mutirão. Lembra?
Sei não, mas, de tanto começar a revirar o baú do Bitorocara, acho que não vai demorar muito para rever minha Campo Maior querida. Valeu, Netto.

zan disse...

Netto me confessou em e-mail que passou trinta e cinco anos no encalço dessa foto e que se emocionou ao se rever nela. Aos poucos vamos resgatando esses acervos fotográficos nas mãos das pessoas que, com os recursos de digitalização disponíveis, não hesitam em nos emprestar para que as compartilhemos com os outros. Cabe aqui registrar que é importante que as fotos replicadas sejam publicadas com a referência às pessoas que nos cederam. Ouvi queixa de um cidadão aqui que não gostou que as fotos que emprestou para um amigo digitalizar viu a foto ser publicada como sendo do acervo dele, do amigo. Tem que fazer como fez o Netto com a foto em que aparece, cedida pelo filho do Etevaldo, o professor Marcos Soares.

Ricardo Reis disse...

Netto, o Cleômenes, nascido em São Luis/MA, começou a tocar em algumas cidades do Piauí. No final da década de 60, o meu tio, Sargento Genésio, que à época, morava em Barras, e era Maestro da banda de música, foi tocar em Altos, conheceu Cleômenes e o levou para Barras, para tocar com ele. Depois, o meu tio criou o conjunto, Som 2000, onde Cleômenes tocou durante vários anos, em Barras e Luzilândia. Após a morte, do Tio Genésio, em 1978, Cleômenes voltou para São Luis, onde tocou no, Nonato e seu Conjunto, que fez muito sucesso, inclusive, Nonato tocou no Campo Maior Clube, no final da década de 70, com a presença de Cleômenes. Não recordava da passagem do Cleômenes pelo conjunto, Os Amantes. Cleômenes faleceu em São Luis/MA. Faço esse comentário, para exaltar um dos grandes músicos que conheci. No saxofone ele era formidável. Que o Pai Celestial o abençoe.

Elvira Barrymore disse...

Recuso-me veementemente a trocar comentários neste matavilhoso blog em sinal de repúdio ao comportamento dos proprietários de internet Banda Lerda que deixaram nossos internautas de Campo maior fora da rede de amigos e conterrãneos de todo o planeta. Cadê, já está no ar?
Deixa eu ligar pro meu provedor me abastecer com mais 20 mega de velocidade.
Aaatchiiimm!!!!!!!!

Rozário - Gama disse...

Netto fui a muito Sereno com vocês tocando lá no saudoso Campo Maior Clube. Tempo maravilhoso e músicas também.

Jacinto disse...

Confesso que me recuso até a passar próximo desses shows de agora. O diabo é que em cidade pequena onde você estiver dá pra escutar. Ainda bem que essas músicas não tem cheiro, ou será catinga, fedor?

zan disse...

O tal de forró techobrega (é assim como chamam os intelectuais essa doença sonora que grassa por onde se anda aqui?) é tão acachapante que a gente termina por querer entender o fenômeno, mas desiste com dez minutos prestando atenção nas letras das músicas... Fico na dúvida se o cara escuta aquilo pra beber ou bebe pra escutar aquilo... É de morte.

zan disse...

Eu quis dizer tecnobrega, galera...

M Aurea disse...

Neto,agora sim vi o Neto que conhecia,este de hoje tem muito pouco do que tinha na minha lembrança.Bons tempos destas tertúlias,boas músicas,bons amigos,tudo muito divertido.Saudades...

lusmarina disse...

...quando o Neto pos essa foto foi uma surpresa reconhece-lo e quero endossar o comentário da M.Áurea,impossivel ver no Neto de hoje aquele que conhecemos no passado.
Não lembro das tertúlias mas agora sei quem é o criador do blog pois vivia angustiada com minha demencia precoce.

João de Deus Netto disse...

Viu, Zan, como eu sempre estive certo? A lusmarina e a Áurea me tiraram o sentimento de culpa por eu sempre afirmar de que a velhice é perversa, mermão! O pior são essas imagens de tv Full HD... Essas é que arrebentam o que sobrou dos tempos da brilhantina (teu caso); do black power (balula); da "refrescante" cacharrel e da boca de sino com cavalo de aço (sapato)- que não eram meu caso - nas tertúlias caseiras abastecidas com o famigerado "bate-bate" de cachaça com "Ki-suqui" de groselha. Arre, foi aí que começei!
Falei em imagem digital porque gravei uma entrevista com o Cineas na TV Cidade Verde, em Teresina, e confesso que aos 5 segundos com os "zói durin" na tela, optei em "assistir" o programa só com os "zouvido".

Anônimo disse...

O Netinho tocou muito foi bateria. Só se via aquele bixin franzino fazendo a bateria falar. Ah tempos bons de C. Maior Clube e Grêmio.

amaral disse...

irmão talibah, satisfaça a minha curiosidade e desenferruge as gavetas da memória: qua música era essa que tava rolando?

João de Deus Netto disse...

Irmão Hallahmaral, apertei o Play:
"Não sei porque você se foi, quantas saudades eu senti..." Aí emendava com Fevers, "Alone again", Vando com a "Nêga", Renato, e algumas "internacional" dor de paixão. Mas tinha uma tal Garota de Paramaribo quera que mais gostava de acompanhar olhando para o Clemones debuiar o Saxofone.
Cheeega... Tenho que ganhar o dinheirin da lenha da lareira aqui na distante Curitiba; cheio de frio e saudade.

Lillah De Araujo disse...

Ricardo reis, muito legal lê seu comentário. E por um motivo muito especial, pois se tratava de meu avô Cleômenes que infelizmente não tive o prazer de conhece-lo.
Me sinto muito feliz por seguir os passos dele e saber que foi um Grande musico.

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