sábado, 27 de março de 2010

Semana Santa...

Simão Pedro

Simãozinho Pedro, a irmãzinha dele, Blandina, e o Irmão Turuka, pai dessas crianças cheias de energia.

Na segunda feira os preparativos finais, as compras, a bagagem arrumada, redes ensacadas, panelas e pratos embalados,os mínimos detalhes sendo cuidados, nada podia ser esquecido. Os convidados chegando na quarta,tudo deveria estar arrumado, o Professor Joca Vieira e família estavam pra chegar. Na terça, depois do almoço a primeira viagem era feita, na frente os utensílios e a comida. Uma Rural Willis, verde com branco, já fretada, cruzava a Praça Bona Primo, o destino? Nosso paraíso, um pedacinho do céu chamado Cascata. No bagageiro por cima das tralhas, duas crianças pinotavam com euforia, Simão e Blandina faziam a festa com gritaria e desordem, sob o olhar cuidadoso da Dona Raimundinha sentada no banco de trás. No banco da frente com um sorriso grande nos lábios o velho e bom Turuka aprovava a algazarra. O Surubim transbordava, a chácara do seu Aderson Sampaio submersa naquelas águas. Mais a frente um verdadeiro mar descortinava-se, a água beirava a calçada da casa do nosso Tio Edmundo, ali em Flores. Algumas curvas depois a velha rural desviava das vacas do Zeca Mãezinha. Pronto, chegamos no ponto final. Era inacreditável para nós tanta felicidade, seis dias alí naquele lugar. Banhos no riacho, mergulhos no poço de escada,frutas a escolha: mamão,laranja, banana, tangerina,melão, melancia e genipapo. No curral, ao lado da casa principal, duas vacas holandesas, apelidadas de cachoeira e lavadeira, mugiam sem parar, pareciam felizes com nossa chegada. Na oca, a beira dágua, redes contornavam o recinto em forma de círculo, abrigando a família e convidados. A comida rolava solta, mungunzá, canjica e milho verde e arroz de leite era uma gula danada,enquanto a nossa boa Gracinha preparava o bacalhau e as sardinhas.Santa semana que logo acabava,no domingo a tardinha de volta pra casa uma imensa saudade. Doce cascata, meus melhores momentos...

Nota do Bitorocara: Simão, o texto está tão maravilhosamente "real" que eu entrei até sem dizer "ôi de casa!". Os personagens pediram pra aparecer na foto e eu não contei meia vez: convoquei-os à cena.  


Fotomontagens: João de Deus Netto

28 comentários:

José Miranda Filho disse...

Observem os leitores mais jovens que a Semana Santa dos mais velhos de hoje, jovens de "trasanteontem", durava mesmo uma semana; de domingo a domingo, especialmente nas escolas. Atualmnente, a Santa Semana está reduzida, praticamente, à sexta-feira, sábado e domingo.
Simão, com inverno bom, Surubim transbordando, conforme sua descrição, aquele braço d'água que passa ao lado direito da PI Campo Maior/Barras, deslizando diante do Sítio São José e dirigindo-se para a Olaria, não chegava ao Cascata, prejudicando a festa?
Que sítio maravilhoso! Recordo que passei um dia lá, no início da década de 70, integrando a turma do saudoso Clube Lítero-Cultural Campomaiorense/jornal A Luta. O prestígio do ZAN, coadjuvado pelo Ernani Napoleão, conseguiu do Irmão Turuca aquele dia de muito lazer para nós. Inesquecível.

De Assis - da Tabula. disse...

Seu Zé mais o que era exagerado de bom era as férias que durava 3 meses, o aluno saia de ferias em dezembro e só voltava no primeiro de março meus jovens de hoje. Né bom nem falar nisso não se não ele se revoltam contra nós pai. A outra coisa que também não entendia assim como o irmão Turuka, era como é que podia fazer jejum enchendo a pança. Era muito bom aqueles tempo.

Anônimo disse...

Bom dia,
Entre as frutassó faltou carnaúbas, "criulir", maçã, mamacachorra...

Simão Pedro disse...

Zé Miranda deixe esta história de mais velho para lá,vamos agora a geografia do lugar, ou melhor a hidrografia do lugar. O riacho que passava na Cascata, era alimentado por dois riachinhos,um descia do Alto da Olaria, pelo lado esquerdo da Cascata, o outro descia do Açude Mirador,pelo lado direito. Os dois se juntavam no centro da Cascata,ambos desciam num só corpo desaguando no Surubim que lá na frente se derramava no Longá.Era muita água no período da invernada,como as chuvas logo passavam, o Papai teve a idéia de fazer uma barragem pra segurar a água por todo o ano.Daí, a origem do nome,a barragem formava uma cascata.Como escrevi na narrativa, ali dava de tudo, tinha sim meu caro anônimo,criuli,carnaúba,mama cachorra e maçã do mato, além destas, por época, se achava o buriti,limão azedo,limão doce,tangerina ,seriguela,azeitona do mato,manga e até canapum. Neste pedaço do Céu, De Assis, não era lugar de jejum,a comida rolava solta.O jejum por nós praticado era a ausência da maldade. Nestes dias santificados recebíamos os amigos com carinho e amizade.

Simão Pedro disse...

Meu Querido Neto, acabei de chegar da nossa terra,depois conto o que vi por lá. Sozinho aqui em casa, pra matar a saudade, acionei o botão do BITOROCARA.O susto foi grande,tomado pela emoção,não pude conter as lágrimas,tudo veio a tona por um instante, não esperava a imagem e a narrativa aqui revelada em primeira página.Quando vi a história do Papai aqui publicada, quis de alguma forma retratar o que vivi na minha infância no periodo da semana santa.Guardo tudo isso como um tesouro sagrado, sou um saudosista irreparável, confesso, mas na minha saudade, não existe lugar para a tristeza. Neto, queria te dizer que para entrar, você não precisa bater e nem anunciar-se,você é de casa e as portas do meu coração estarão sempre abertas pra receber de você este carinho e amizade.

Horácio Lima disse...

O nível de criatividade do Netto é algo intríseco ao intelecto humano, é o amor e prazer na realização de seu trabalho, isso ocorre porque seu trabalho é significativo e principalmente original.

A semana Santa comemora a honra a paixão e morte de Jesus Cristo, é a festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo.

Uma torta de sardinha com ovos batidos, pimentão, cebola picada, coentro e macarrão era a ceia mais apreciada e preparada por minha mãe na hora do almoço na sexta-feira da Paixão.

Netto você é o "Bito Cara de Deus"

Simão Pedro, Zan, Zé Miranda um abraço irmãos.


HL/SP

zan disse...

Nos anos 60, ou pelo menos na época em que convivi com o irmão Turuka, na semana santa, a cascata era um dos locais em que todas as pessoas (os amigos mais chegados do irmão...) iam tomar banho e tirar uma prosa com o anfitrião. Tenho ótimas recordações desse tempo, porque era de casa e entre uma leitura e outra, dava um mergulho no riachinho que o Turuka mandou cavar o leito e transformou no que ficou conhecido como "Cascata"...

zan disse...

Esses apelidos de campomaiorenses realmente lembram muita coisa:um dos vizinhos do Turuka na Cascata era um tal de ZecaMãezinha,que eu tou querendo me lembrar da cara do sujeito... Esses dias reencontrei aqui ali pelo mercado um senhor que menino morou um tempo na minha casa, uns dois ou tres anos, tempo suficiente para a gente botar um apelido nele (que já tinha um quando chegou, Fogoió...):Chico Bostinha, porque ele era um ás em acertar passarinhos e carnauba com bosta seca de boi... Eu reconhecei o cara e o cara me reconheceu depois de mais de cinquenta anos sem nos vermos... é brincadeira... ZecaMãezinha era um cara que vendia leite, Simão?

Ana Lucia disse...

Horácio, posso copiar a receita da sua mãe? Parece ser muito gostosa.
Lúcia Araújo

zan disse...

Lúcia, mande um pedaço desse bolo feito a partir da receita da mãe do Horácio, que deve ser conterrânea de minha mãe (de Pedro II), pelo Sedex, dizendo que é um livro de receita de bolo...se o bolo chegar vivo aqui é porque vale a pena comer...

Simão Pedro disse...

O Zecamãezinha,tinha uma pequena vacaria e vendia leite,a vacaria cresceu e ele ficou bem financeiramente.A mamãe até chegou a alugar uma solta de capim para o mesmo alimentar suas vacas.

Simão Pedro disse...

Pinuca,tu te lembra da história do capote? Ali perto da Cascata tinha um vizinho que criava estes bichinhos soltos pelo terreiro,os danados gostavam de pular a cerca e passear na beira do riacho.Um domingo destes, o Tenente Sebastião vai nos visitar, da de cara com os capotes e externa o desejo de comê-los. O Papai como bom anfitrião que era, ofereceu prontamente a iguaria; disse somente que eram ariscos e que,para matá-los só se fosse de tiro,mas que o Tenente ficasse a vontade. Ora, não deu outra, bom de tiro que era,nosso Tenente derubou três de uma lapada e os encaminhou para a panela.No dia seguinte,uma segunda feira, no balcão da farmácia o vizinho apareceu, reclamou os capotes e exigiu idenização em dinheiro.O papai o ouviu com atenção o relato, disse estar solidário, que o vizinho tinha razão, só que tinha um probleminha para ele resolver, o crime aconteceu e ele podia atestar,só que ele não teve como evitar.Os três capotes foram alvejados sem dó e sem piedade,e o autor do disparo foi o valente Tenente Sebastião. Achava que era justa a reclamação e aconselhou que o mesmo fosse à Delegacia pedir uma reparação.O coitado coçou a cabeça, resmungou alguma coisa e saiu dali iconformado com sua situação.

João de Deus Netto disse...

Simão, meu camarada, agooora que eu me assustei! Estava eu contemplando o design arrojado da Rural, quando de repente me aparece do lado do chauffer, o espectro do Freud. Porque logo Freud?!!! Repara aí direitin, também, Zan, se não for pedir muito, já pedindo! Desenhista que sou e acostumado a percorrer a anatomia facial das minhas vítimas em caricaturas, prefiro pensar que é o Machado de Assis. É menos loucura.
Eu, hein?

Simão Pedro disse...

Tem tanta coisa nesta imagem... não se assuste, quem sabe o próprio chauffer resolveu nos visitar.Se tinha a cara do Freud ou do Machado eu não sei,não lembro da cara dele, mas tem sim,alguma coisa por lá.

Ana Lucia disse...

Zan, pode deixar que quando eu chegar aí pros festejos, faço a torta de sardinha pra vc.
Um abraço,
Lúcia Araújo

zan disse...

Tudo bem, Lúcia, vou lhe cobrar a torta de sardinha nos próximos festejos, fique tranquila e traga a família para o repasto aqui no terraço olhando pro açude e pra serra... Pra essa semana santa tou esperando que uma amiga tenha a coragem de vir aqui fazer com um pedaço de bacalhau uma torta, direita, certa e errada pra ver se eu consigo passar esses feriados sem me sentir um desterrado...

Horácio Lima disse...

Ana Lúcia, urgente! Estou recebendo via Embratel, ou melhor via Internet à receita da torta diretamente da Chef de Cozinha dona Helena Lima made-in Campo Maior.

Aí vai a receita: Ingredientes:

Opções:
01-pode ser bacalhau e queijo ou só bacalhau,
02-ou carne moída,
03-ou sardinha
Oito (08) ovos batidos (que farão as camadas inferior e superior da torta)a camada do meio, claro, será de sardinha, bacalhau ou carne moída, conforme o caso, deve se levar ao forno por 30 minutos e depois é só se deliciar.

Em tempo: pode usar óleo ou manteiga para assar a torta.

Reúna os amigos e bom apetite, não faça cerimônia, pode repetir, o macarrão fica a critério da anfitriã, eu gosto do Adria espaguete refogado com óleo, alho à vontade sem esquecer do coentro, um prato desse preparado vai deixar o Zan de água na boca.

Quanto ao Zan, eu também acho arriscado enviar um pedaço desta torta via Sedex e por ser um alimento perceptível corre um grande risco de desvio da entrega, o faro do tempero é irresistível a uma boa gula.

Recado pro Zan.

Zan, a próxima vez que eu aterrisar na terra da opala, te entregarei em mãos um "Bolo de Goma" muito consumido no café da manhã pelos pedrosegundenses, eu mesmo quando estou em Pedro II faço questão de eu mesmo servir deste bolo que por sinal quando eu tinha meus sete anos de idade e morava nessa era ajudande da finada Olinda uma esperte na preparação caseira desse bolo de massa de mandioca, sendo a minha tarefa de não deixar o carvão apagar, ou seja, abanador, cujo fogaréu era improvisado a meia lata daquelas de querosene e aparelhava a sua banca de café/bolo sob as sombras do copado centenário pé de Tamboril, que nos dias de hoje o local foi edificado o Mercado Central.

Alí embaixo daquela frondosa árvore fui um madrugador e pude fartar a minha fome degustando um belo café com bolo de goma preparado pela saudadosa Olinda, lembranças de menino buchão.

Boa páscoa a todos.

HL/SP

Simão Pedro disse...

Já vi que o assunto em pauta é comida. Toda comida é boa quando feita com gosto; aqui em casa os meninos se alegram quando vou para cozinha, até que a mulher capricha, mas a minha comida é mais disputada,sobra sempre pra mim, fazer o que?

Ana Lucia disse...

Horácio, muito obrigada pela receita, pode deixar que vou fazer e com sardinha, já que quero é recordar de sabores.
Um abraço
Lúcia Araújo

Edin Pipão - de Formosa disse...

Campeonato de pipa na beira açude com o carro de som tocando bem alto "a pipa do vovô não sobe mais". E pras cocotas de que vai ser o campeonato? Antes das respostas vejam que existe a possibilidade dos netos de vocês espiar estes comentários. Copin dágua gelada funciona.

Ana Lucia disse...

Credo Edin Pipão, que mal gosto esta sua música. Da próxima vez melhore seu gosto musical.
Lúcia Araújo

Anônimo disse...

Horácio, meu irmão, fui casado com uma senhora também lá de sua terra e de minha mãe, que sabia fazer um bolo de goma que me deixava babando de vontade de comer até o pedaço das crianças, que gostavam mesmo era dos bolos doces maravilhosos que ela também fazia... Quando vc. vier novamente por cá pelo Piauí, vamos visitar aquela terra maravilhosa que é Pedro II; ainda tenho muitos parentes lá...

Anônimo disse...

Simão, te juro que vi um dia desses aqui, em frente ao Big Pão, o Zecamãezinha, encostando uma bicicleta com uma vazilha enorme de leite na garupa dela... da próxima vez que vê-lo, vou puxar conversa com ele... Morei um ano mais ou menos pelo alto da Santa Rita e cruzava com ele por ali, isso há uns quarenta anos... Magrinho, cabeça branca... um cara com um apelido desse deve ser gente muito boa...

Anônimo disse...

Esses dois anônimos aí de cima sou eu, não sei bem porque sairam como sendo do anônimo...

Anônimo disse...

Eu, zan, continuo como anônimo, nos tres comentários anteriores... acode aí, Netto.

João de Deus Netto disse...

Simão, minha sogra e tua conhecidíssima, dona Leó(vigilda), emocionou-se quando mostrei aqui em casa este teu post com as pessoas "inequecíveis" sentadas em cima da Rural, lá na "Cascata". Riram muito da tua invasão do domicílio do finado Moisés, enquanto seu Zézar deliciou-se com as imagens dos times e seus atletas.
Ela e o sr. Zézar, passaram o Domingo de Páscoa conosco. Estão hospedados na casa da outra filha, Jorany, a duas quadras da nossa.

Simão Pedro disse...

Eita que o negócio aí foi bom demais, um abração na minha prima e no Zeza, na turma toda também.Passei em Campo Maior,estes que já foram santos; vou te mandar umas fotos que tirei por aqui.

Simão Pedro disse...

Bom demais rever essa postagem, reviver esses tempos.

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