quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ZÉ MIRANDA FILHO

O Dr. Zé Miranda candidatou-se uma vez a vereador, como disse o ZAN, pela União Democrática Nacional - UDN -, partido liderado em Campo Maior pelo "seu" Mário Andrade, de quem era amicíssimo e candidato a prefeito. Assim, José Rodrigues de Miranda contrariava sua família, que era toda do Partido Democrático Social- PSD -, o qual tinha como um dos princpais líderes o seu próprio pai, Luiz Rodrigues de Miranda (Major Lula). Porém, nessa época, este já falecera. Intrigado com Sigefredo Pacheco (um dos cabeças da facção pessedista), apesar de seu primo legítimo, abandonou o partido, ingressando no quadro udenista. Estaria na história dos vereadores campomaiorenses se tivesse permanecido com a família, cargo que teria exercido até por mais de uma legislatura. Era querido do povão, de quem cuidava dos dentes, no Posto de Higiene, ali no prédio atualmente ocupado pelo SAAE, na Av. José Paulino. Passou-se para o outro lado, e encontrou adversários ferrenhos no seio da própria família. Nem gosto de contar esta história, porque envolve pessoa muito próxima a ele. Mas... Pois bem, no dia da eleição (a maioria dos eleitores da zona rural votava na cidade, naquela época, anos 50), os eleitores se deslocavam em caminhões. E no caminho entre as propriedades rurais pertencentes à família e a cidade, os veículos eram parados e fiscalizados. Saía a pergunta de praxe a cada um dos seus ocupantes: "Vai votar em quem pra vereador?" "No Dr. Zé Miranda", respondiam. "Não vai não. Pode descer daí e tomar a estrada de volta!" Mesmo assim, ainda recebeu número razoável de votos, porém insufientes para colocá-lo na Câmara. Decepcionado, não se candidatou mais. No entanto, não desistiu da luta partidária. Eu me recordo de que um dia, ele entrou em casa com uma pequena multidão às suas costas, encabeçada pelo delegado de polícia da época, o velho amigo "seu" Antônio Bona Neto (Antônio Músico). Zé Miranda, depois de uma acalorada discussão política, nas proximidades do Bar Santo Antônio, Pça. Rui Barbosa, acabara de esmurrar o "seu" Antônio (ou José, a memória faltando) Maria Eulálio. Quem começou a briga, não lembro mais.

Zé Miranda Filho - 3 de Setembro de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

NOSSA HISTÓRIA

"O bom de se relembrar figuras como o professor Raimundinho Andrade e o tabelião José Olimpio da Paz é que nós já tivemos a frente da Prefeitura Municipal da cidade, homens trabalhadores, honestos, competentes e principalmente, seres humanos inesquecíveis..."
(ZAN)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FILHO ILUSTRE

Sílvio Mendes de Oliveira Filho. Nasceu em Campo Maior a 31 de agosto de 1949. É médico e atual prefeito da nossa capital, Teresina. Graduado em Medicina em 1974, pela Universidade federal de Pernambuco. Especializado em Ortopedia na Universidade de São Paulo. Em Teresina, trabalhou no Hospital Getúlio Vargas, Clínica São Lucas e Ortoclínica. É médico do Ministério da Saúde (SUS) e membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Recentemente o campomaiorense prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, foi homenageado com o Diploma do Mérito Bitorocara, pela Prefeitura de Campo Maior.
Na foto dos anos 60, ao fundo da caricatura, a Av. José Paulino, no centro de Campo Maior, onde morou o jovem Sílvio com sua família que tinha como chefe o também Sílvio Mendes gerente da Casas Marc Jacob. A residência ficava próxima de onde vai passando aquelas duas pessoas, na calçada.

Caricatura: Netto&Oficina da Palavra. Foto: Museu do Paulo

sábado, 15 de agosto de 2009

NOSSA HISTÓRIA EVANGÉLICA

A primeira Igreja Batista de Campo Maior foi fundada em 1915 pelo Sr. Joaquim da Costa Araújo Bostoque, pai da dona Iracema Santos (Irá) e do lendário e divertido cirurgião dentista, dr. Altivo Araújo. O nome Bostoque ele adotou de uma fábrica de sapato do Rio de Janeiro que o convidou para trabalhar na então capital federal e ele não aceitando, teve a autorização da fábrica pra que fabricasse também em Campo Maior sapatos semelhantes aos deles e que, inclusive, levasse o mesmo nome: um produto Bostoque. Daí a incorporação desse nome ao seu. Dentre as perseguições que a igreja católica fez ao pioneiro evangélico da pequeníssima Bitorocara, uma beirava o absurdo, típico de quem tinha na folha corrida os crimes da inquisição e de outras passagens que não vem ao caso, por enquanto: um certo padre Clarindo saia em procissão com uma imagem de N. S. da Conceição pelas ruas da cidade hostilizando o Sr. Joaquim, sua família e os fiéis que frequentavam a igreja, deixando-o em situação difícil até para sustentar sua família com o seu trabalho de sapateiro, pois o padre dizia para seu rebanho não levar mais sapatos para serem remendados pelo sapateiro, sobre o argumento de que o moço - somente um fiel seguidor da Palavra -, era um “herege”. “Santa” tentação foi o que aconteceu em seguida: Esse padre Clarindo mais tarde caiu na armadilha da libido fornicando justamente com uma prima, por quem abandonou a batina por algum tempo, sendo execrado pela comunidade católica. Sem saída e acuado, adivinhem a quem o algoz sacerdote católico pediu ajuda? Ao “herege” irmão Joaquim que providenciou uma fuga com o veículo que dispunha naquele momento: muntado numa burra o apaixonado e assustado padre Clarindo fugiu para Piripiri no quadrúpede de propriedade do necessitado sapateiro, indo depois dali para o Rio de Janeiro onde, não se sabe como, voltou a se reintegrar à Santa Igreja. De volta a Campo Maior, ainda tentou abrir uma escola, por sugestão do agora amigo Joaquim Bostoque, mas teve frustrado o seu intento por causa da furiosa rejeição que os católicos passaram a ter pelo padre. Ficou decretado que a traição à igreja de Roma foi maior do que a paixão que o homem de Deus nutria pela indefesa prima. Na cidade o comentário entre a imensa maioria católica foi de que o Sr. Joaquim tinha se “vingado” das perseguições do padre, ajudando-o na fuga. Na verdade, o evangélico “irmão” Joaquim Bostoque foi tão somente um instrumento da grandeza de Deus.

Fotos das Igrejas: Elmar Carvalho - Joaquim Bostoque: Álbum da família da D. Irá - Padre na burra: Bitorocara+

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

CAMPO MAIOR - 247 Anos

Nas próximas postagens teremos mais "caras" que participaram ativamente para o engrandecimento de Bitorocara.


NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA:

E atenção, acaba de ser divulgado pelas Rádios A Voz da América, Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Jornal do Commércio do Ricifi, Rádio Clube de Campo Maior e pela amplificadora do Zé Melo do seu Estácio, notícia de que o BLOG doZAN foi aceito na Blogosfera pelo poderoso Google. Agora é só digitar tal como está escrito e...Zan,Zan,Zan,Zaaan. Ou então é só clicar aqui ó:

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Prof. JOSÉ OMAR BRASIL

A história de Campo Maior se confunde com a civilização do Piauí. Infelizmente muito do que se registrou e se construiu ao longo de mais de três séculos de existência, pouco ou quase nada resistiu ao tempo ou aos instintos de destruição de alguns filhos ilustres desta terra. Estatisticamente, no Estado, Campo Maior é a comunidade que menos preservou a sua história, portanto paupérrima de memória. Tomando como referência as pesquisas do gigante campomaiorense, Padre Cláudio Melo, somente a partir da década de oitenta ficamos sabendo que Campo Maior não foi fundada por Francisco da Cunha Castelo Branco, como registrou a história (e que até hoje e continuará a ser, pelos séculos futuros pelo Piauí afora, ensinada nas escolas), e sim pelo Pacificador e Mestre de Campo, o português Bernardo de Carvalho e Aguiar. Para se ter uma idéia, até hoje desconhecemos, mesmo existindo vários vestígios de antigas e grandes fazendas seculares de pedra (que também não foram poupadas), no perímetro de Campo Maior, qual delas teria vindo a ser a Fazenda Bitorocara, o marco primeiro da povoação de Santo Antonio do Surubim, atual Campo Maior. Outro fato de pouca monta para muitos, mas que trouxe enormes prejuízos à nossa memória refere-se às manifestações internas acontecidas antes da Batalha do Jenipapo", em que, os patriotas revoltados com as atitudes do pároco português em não colaborar com o movimento separatista, em alvoroço invadiram a casa paroquial e incendiaram todos os registros da Freguesia, inclusive o Livro de Tombo da Igreja. E assim vai! Da memória atual, ou seja, do curto "ciclo áureo da carnaúba", em que muitas das imponentes e modernas estruturas foram erguidas sob a égide do ouro em pó, pouco restou que preservasse também essa outra parte da história.
Pouco a pouco o patrimônio público e privado de Campo Maior vai sendo dilapidado, nada restando de um passado glorioso e heróico, de gente simples, corajosa e altaneira, que possa ser preservado e repassado para as futuras gerações.
Neste momento em que a memória de Campo Maior, riquíssima em tradições, costumes e heroísmo e também pelo que representou para o Brasil nos campos do Jenipapo e para os irmãos piauienses no desbravamento empreendido pelo Mestre de Campo Bernardo de Carvalho e Aguiar que, partindo de Bitorocara, conquistou para o Piauí o atual território até o litoral parnaibano, é de vital necessidade que não deixemos rasgar essa página e, o BITOROCARA + vem fazendo esse resgate, recuperando a memória e a auto-estima dos campomaiorenses.
Parabéns!

Prof. José Omar é membro da Academia Campomaiorense de Artes e Letras -ALCALE
Fotos:Casa da dona Eulina Cardoso, depois Museu do Couro - Museu do Paulo&Bitorocara+

BAILES, FESTAS E TERTÚLIAS

-“Vamos lá, nada de mentira!”.
Este era o lema e grito de guerra usado como gozação por parte do "fogoió” saxofonista que o João Sérgio havia importado das Barras do Marathaoan. A “mentira”, na versão do Cleômenes, eram os acordes (notas musicais) falsos, na harmonia da música.
Da direita pra esquerda: Zequinha (guitarra-solo), Etevaldo (crooner) - esse era o “cara” que curtia com a cara de todo mundo, sempre pronto pra brincadeiras, mesmo sendo “carne e unha” com o sisudo e sem graceza Zequinha; o “Sapato” vez em quando também nos preocupava muito -; Cleômenes (saxofone), Netto (eu mesmo, na guitarra-base), Joãozinho “piripiri” (bateria), e o braço do contra-baixo do Corinto Brasil fora do foco do fotógrafo desconhecido.
Eram os “Amantes” já meio que desfigurado, sem a presença do Ciçinho, Baixinho e Juvenal. Foi aí que o “maestro”, proprietário e safoneiro João Sérgio, decidiu criar outro “conjunto” com repertório composto de músicas “pra frentex” e mais voltado para a urbanidade – até então, o João levava a turma pra todo canto dos mais longínquos e inusitados rincões do Piauí e do Maranhão.
Estava formado o “conjunto” Os Elektrons. Enquanto isso ficava consolidada a vocação d’Os Amantes para as festas do interior; o forró, o xote, o baião, paixão do grande acordeonista João Sérgio, com a presença, aí sim, do Baixinho, Juvenal, Ciçinho e outros.
Meu hobby predileto n’Os Eléktrons, naquele momento, já tocando bateria, durou pouco menos de um ano. Estava na hora da debandada. Uma grande leva de estudantes saiam pra fazer o “científico” (Ensino Médio) na capital ou em outros Estados - aconteceu comigo e com o baixista Corinto. Parece-me que o guitarista-base, Lilito, também saiu. O prazer de ser músico estava indo para o espaço.
Mais tarde, 12 anos depois, o saudoso e amante de todas as músicas, João Sérgio, formou a atual Banda Spacial.

Momentos de deleites

Com essa formação d’Os Amantes aí na foto, não me sai da lembrança uma das festas mais “afobadas” e “chic” que marcou a cidade por aqueles dias: tocamos pela primeira vez em uma residência, na festa de aniversário de 15 anos da jovem Mariema Paz, filha do casal Tenente Jaime e Mariema Paranaguá da Paz, hoje, Sra. Washington Belchior. Outra curiosidade foi que justamente naquele dia o virtuoso baixista Corinto foi acometido por uma febre tipo “tampa de chaleira” que literalmente o acompanhou em todas as músicas, durante toda a festa.
Mesmo assim, esses caras aí de cima, na foto, não só conseguiram deleitar os ouvidos dos convidados, como também atiçaram o exibicionismo dos pés-de-valsa e amantes da boa música, de todas as idades.

Foto gentilmente cedida pelo professor Marcos Soares, filho do saudoso Etevaldo Soares, conhecido carinhosamente por “Sapato”.

sábado, 1 de agosto de 2009

IRACEMA SANTOS - I

" Quando nasci, minha primeira visita foi minha avó paterna ela colocou na minha mãozinha um cartão escrito o meu nome: Iracema! E exclamou: “mas que negrinha dos dedos longos! Já se vê que vai ser uma parteira!”. Minha mãe contava para seus amigos e eu, quando tomei entendimento, acalentei essa idéia.
No ano de 1940 assisti o Dr.Sigefredo Pacheco fazer um fórceps* em uma prima minha e falei a ele que gostaria de ser uma parteira e por várias vezes até sonhei.
Em 1943, a 20 de agosto, comecei a trabalhar no consultório do Dr. Sigefredo.
No dia 31, do mesmo ano, em domicílio, assisti o primeiro parto, de dona Maria do Livramento Souza. Trabalhei nessa clínica até o fim de 1951, quando fui premiada com uma bolsa pelo FISI - Fundo Internacional de Socorro à Infância – na Maternidade Marques Bastos, em Parnaíba [PI]. A essas alturas, como parteira leiga, havia assistido 500 partos. No término do curso tive vitória, galgando o 1º lugar!
Trabalhei também no Hospital Regional São Vicente de Paulo; SAMDU (admissão por concurso) e na Maternidade Sigefredo Pacheco, onde fiz o primeiro parto realizado pela instituição, da paciente Sra. Altair Lima (Tatá), quando da inauguração".

* Fórceps É o parto via vaginal (parto normal) no qual se utiliza um instrumento cirúrgico semelhante a uma colher, que é colocado no canal genital da mulher, ajustando-se nos lados da cabeça do bebê para ajudar o obstetra a retirá-lo do canal de parto em casos de emergência ou sofrimento fetal.

Fotos gentilmente cedidas pela família da dona Irá.
Testemunho escrito de próprio punho, com assistência de Zeferino Zan, autor de um vídeo feito em parceria com o Jônatas, filho da nossa Iracema L. C. Santos, carinhosamente conhecida por Dona Irá.

IRACEMA SANTOS - II

Momentos de desconfortos e glórias

"Às 9h da noite eu estava chegando do 2º parto do dia, cansada, é claro; quando bateu à porta o 3º chamado de parto; não tinha nem sequer trocado de roupa; saí apressadamente, o parto não demorou e às 11h da noite estava de volta; secava os pés, pois estava chovendo quando bateu à porta o 4º chamado de parto. Eu falei para minha mãe: “não agüento mais, estou exausta; peça desculpa por mim. Mamãe depois de ter conversado com o portador, me falou: “Irá, o chamado é daquela senhora que na semana passada, chorando veio te pedir para assisti-la, pois o médico tinha aconselhado que lhe procurasse”. Então falei que já estava indo. O parto foi concluído lá pelas 4h da madrugada e, como era previsto, aquela senhora perdeu muito sangue após o parto. A chuva a essa altura estava a cântaros. Olhei ao redor e pensei como me agasalhar, mas o que encontrei foram uns caixotes de troupeiros; emborquei-os deixando os lados declinados para o lado oposto da parede de palhas, fiz de minha capa o travesseiro e fiquei me sustentando com a mão no chão.
"Dormi o melhor sono de toda a minha vida. Acordei, o sol claro e com minha mão dormente, da posição e de ficar dentro d’água, pois a chuva forte fez entrada no casebre, de fora a dentro. Despertei e sorri, grata à Deus por ter cumprido minha missão e, o mais importante, foi, que o sono foi tão reparador, que nem uma unha me doía, pelo fato de tão desconfortável cama".
Computados: "Fiz 2.385 partos com êxito; nenhuma paciente faleceu em minhas mãos, a não ser, já na responsabilidade de um médico. Toda glória e honra sejam dadas a Deus, pois em todo os momentos da minha carreira profissional Ele esteve ao meu lado".
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