O
Bitorocara se rendeu às inúmeras cobranças chegadas por E-mail, pedindo mais "matérias" com a "gloriosa" rua da
Terra dos Carnaubais. Fomos no baú e resgatamos mais estas pérolas da rica e devota vida mundana de
Campo Maior.
“A elite vivia em boas farras e a cidade era detentora do maior número de cabarés do Piauí. Fazendeiros e comerciantes mandavam buscar mulheres em outros Estados; era a força do poder econômico, oriundos da cera de carnaúba e do gado”. (João Alves Filho, no seu livro Mateus Rumo ao Céu, sobre a prostituição em Campo Maior)
De princípio, em entrevistas se conseguiu revelações como essas:
“O major Honório Bona afirmava que enquanto fosse vivo a prostituição não acabava na Rua Santo Antônio” (Informação verbal anônima). Um ex-frequentador da zona do meretrício afirma:
“As mulheres vinham determinadas primeiros para certas personalidades locais, depois elas ficavam por aqui, vendendo seu corpo para os outros”. Depoimento de outro ex-frequentador da rua, que fala de sua vida de boêmio, explicita bem essa questão ao dizer:
“Eu andei, muitas vezes, não nego. Eu me lembro de ter visto muita gente importante de Campo Maior na rua Santo Antônio”. E por fim, o cronista
João Alves Filho confirma esta tese ao proferir:
“De elevado poder aquisitivo, este município importou belíssimas mulheres que serviram na vida fácil aos Senhores Burgueses”.*O cabaré
Bataclã citado no título do post, foi durante muito tempo o local de encontro diário dos abastados coroneis do cacau, nos tempos áureos da cacauicultura na cidade de Ilhéus, Bahia.
Fontes: Rua Santo Antônio – A Prostituição feminina em Campo Maior - Celson Gonçalves Chaves. Arquivo: Bitorocara+ , Escritor, João Alves Filho.
ODE INTERPLANETÁRIAJoão de Deus Netto
O poeta campomaiorense
Elmar Carvalho tem uma bonita ode interplanetária escrita na primeira metade dos anos 80 em homenagem a um quarteirão no centro da cidade de
Campo Maior, PI, onde ficava localizado um cabaré composto de mais de uma dezena de casas, todas de propriedade do glorioso
Santo Antônio, padroeiro da cidade. Era uma espécie de
Shopping do Prazer, onde você fazia o contorno da “quadra”, olhando e pesquisando as "vitrines", na ânsia de encontrar, o mais breve possível, o melhor manequim que encaixasse no seu furor. Era bem legalzinho, lá. Digo legal, porque não havia a menor possibilidade da pessoa contrair o criminoso
HIV. Reclamava-se que tinha muita blenorragia, esquentamento, cavalos de várias raças, inclusive, um bizarro, com crista; tinha sífilis, “chato” (o onipresente também)...Nada que um comprimido de
Tetrex, uma
Benzetacil nos “quarto”, ou que o
Sr, Nascimento da farmácia, não exterminasse, mesmo com os urros e esturros, denunciando para a metade da cidade que alguém tinha "dançado" na
Santo Antônio.
Celson Gonçalves Chaves
“Olha, nessa zona, a gente é obrigada a beber sem querer, é obrigada a aceitar qualquer homem que a gente nunca teve e nem viu; ninguém gosta disso; estou aqui por falta de apoio!”
A vida não era fácil para mulheres que perdiam a virgindade fora do casamento. A perda da virgindade seria motivo de execração por parte da família. E para aquelas que não se encaixavam dentro desse ideal cristão – as prostitutas – o preconceito era esmagador sobre as escolhidas para trilhar o caminho da difícil vida fácil. No código de postura da cidade de Campo Maior, aprovado em lei nos anos 50, tem no seu capítulo X, do sossego e a ofensa à moralidade e segurança pública, rezada da seguinte forma: “Art. 87º É proibido estar ou transitar nas ruas e praças desta cidade de nu indecentemente vestido ou disfarçado com roupa imprópria do seu sexo”.
Entre Meretrizes e ClientesO Ritual da Bacia“Naquela época, era época da bacia; acho que era humilhante para a mulher, mas elas faziam isso mesmo(...) ela pegava a bacia com água; tinha os depósitos de águas e lavava o pênis do homem com sabonete e enxugava. Isso, ninguém pedia, nem nada. Isso era da cultura”. (depoimento anônimo)
Fellinianas
A aguçada inspiração pejorativa de alguns cronistas e entrevistados anônimos ao descrever o perfil das prostitutas:
Rua Santo Antônio, com suas musas famosas, como a
Paturi, a
Chica Galinha, a
Bate Marchas, a
Bola Sete e a
Maria Caça Homens. (Jornal Alfarrabos)
Era
Forquite; por que
Forquite? Porque só tinha um olho fundo e remelento. Tinha também a
Piranha, a
Lanzuda, a
Moe-de-Vara (...), tinha a
Maria Cal e a
Cotinha.
Vênus da Planetária
E finalmente, na definição poética de
Elmar Carvalho:
Calipígia, de belas nádegas navegantes,
de bela bunda popozuda e rebundolantemente ondulante,
de ondulante ancas e colos coleantes
Por mares Bravios de cios
Fontes: Rua Santo Antônio – A Prostituição Feminina em Campo Maior: Celson Gonçalves Chaves - Zona Planetária: Elmar Carvalho;
Jornal A Luta