quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

DOIS HERÓIS DA BATALHA DO JENIPAPO

Elmar Carvalho

Os que desejam empanar a Glória da Batalha do Jenipapo, como se um caco de vidro pudesse ofuscar o fulgor do Sol, afirmam que o comando dos Heróis do Jenipapo teria cometido um erro de estratégia, pois deveria ter adotado a tática de guerra de guerrilha. Tenho a convicção de que tal assertiva não procede. A topografia do percurso de Piracuruca a Campo Maior não é acidentada; ao contrário, é composta de tabuleiros e chapadas, sem desfiladeiros e sem elevações relevantes. Também não possui densas florestas, mas apenas uma flora rala, aberta, o que não é um cenário propício para uma guerra de guerrilha, que se fundamenta em surpreender o inimigo, sobretudo em locais desconhecidos por ele, através de armadilhas e emboscadas e ataques relâmpagos e furtivos, que mais se acomodam a terrenos acidentados, como serras, socavões, desfiladeiros, gargantas, e florestas fechadas. E essa não é a paisagem do trajeto percorrido pelas tropas de Fidié. De qualquer sorte, a tática de guerra de guerrilha foi usada, sim, tanto pelo tenente Simplício José da Silva como por outros comandos, porém posteriormente à Batalha do Jenipapo, em terreno mais adequado a essa metodologia bélica. Portanto, o senão apontado não passa mesmo de um senão desprezível, diante da grandeza épica, do sacrifício altruístico e do idealismo patriótico dos Heróis do Jenipapo.
O tenente Simplício José da Silva é uma das grandes admirações de monsenhor Chaves, tanto que é uma das figuras de destaque de seu livro "Apontamentos Biográficos e Outros". Diria que é um dos mais notáveis campomaiorenses, uma vez que foi um dos maiores heróis da Batalha do Jenipapo. Mesmo após esta, continuou no encalço de Fidié, fustigando-o, em verdadeira guerra de guerrilha, nas escaramuças que lhe armava. Aliás, com essas e outras escaramuças e com a apreensão da bagagem bélica de Fidié, a vitória deste terminou sendo uma verdadeira vitória de Pirro, porquanto teve que fugir ao seu desiderato e roteiro original, que demandava Oeiras, seguindo para Aldeias Altas, hoje Caxias - MA, onde foi sitiado e derrotado, com a participação decisiva dos Heróis do Jenipapo. Após a luta, o caos se instalou na Vila de Santo Antônio do Surubim dos campos maiores, como costuma acontecer após grandes lutas, através de assaltos, assassinatos e outros crimes. Quem restabeleceu a ordem e o império da legalidade, com mão firme e enérgica, foi o nosso heróico e bravo tenente Simplício José da Silva, que hoje jaz no mais completo, injusto e lamentável esquecimento, não fora a obra de padre Chaves, a resgatá-lo das lamacentas águas do Letes da História.
Também não pode ficar no esquecimento Lourenço de Araújo Barbosa. Rábula inquieto e combativo. Idealista abnegado, um dos maiores propagandistas de nossa Independência, através das pregações que fazia e dos panfletos que publicava e distribuía, tendo mesmo chegado ao ponto de fabricar pólvora em Campo Maior. Foi perseguido pelo seu idealismo, mas se manteve firme em sua trincheira publicista, podendo ser considerado um dos grandes heróis da Independência do Brasil em terras piauienses.

Elmar Carvalho - Juiz de Direito, poeta, cronista, contista, crítico literário, acadêmico, e piauiense de Campo Maior

Os "Dideus" nas Batalhas

João de Deus Netto

Meu bisavô, João Cândido de Deus e Silva, foi alferes na Guerra do Paraguai. Vi a farda quando a encontraram em um baú na casa da minha vó Luiza, por ocasião da sua morte, lá na Rua do Sol (Padre Fábio); foi uma dificuldade pra tirá-la do baú; estava pronta pra se fragmentar pelos fungos da velhice; essas coisas. Se não me engano, depois de restaurado, esse uniforme foi parar no tal “museu do jenipapo”, quando da inauguração do monumento - era o propósito; não sei se foi concretizado.
O surpreendente nessa história, Elmar? Meu bisavô, pai do Dideus; avô do meu pai Zé Dideus, também tinha o mesmo nome do Juiz de Fora de Parnaíba e figura de destaque desse movimento libertário, João Cândido de Deus Silva (os Dideus da época eram bem belicistas!). Tal qual o paraense da batalha, o João Cândido de Deus e Silva, da Vila de Campo Maior tinha sangue português; só que, lutou pelo já independente Brasil.
Estava “profetizado” com sangue, então, que, 184 anos depois, outro Dideus tinha que fazer numa tal de internet, um panfleto eletrônico(?) com essa finalidade: contar da história e dos costumes do povo de Campo Maior.
Estou tentando. Na Paz!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

BATALHA DO JENIPAPO

O major João José da Cunha Fidié nasceu nos fins do século XVIII. Em janeiro de 1809 assentou praça no regimento de infantaria nº 10. Participou da guerra na península, assistindo às batalhas de Buçaco, Albuera, Vitória, Pirinéus, Nivelle, Nive, Orthez e Tolouse, aos sítios de Olivença e Badajoz, e a diversos combates e ações que se feriram até ao fim da campanha. Oferecendo-se para participar na divisão de voluntários de El-Rei a Montevidéu, foi recusado por ser tenente moderno. Em 1817 numa divisão portuguesa embarcou para o Brasil, depois de trocar com um oficial de infantaria nº15, em vista do seu regimento não ter sido nomeado para essa expedição. Serviu a divisão portuguesa em 1817 na guarnição do Rio de Janeiro como tenente e como capitão de granadeiros em 1818. Nos anos de 1819 a 1820 foi ajudante de ordens do governador da Ilha da Madeira. A 9 de dezembro de 1821 foi nomeado como Governador das Armas da Província do Piauí. Em junho de 1822 com seus oficiais partiu de Lisboa na charrua “Gentil Americana”, comandada pelo capitão-de-fragata Joaquim Manuel Mendes, chegando ao Piauí no dia 8 de agosto de 1822 tomando posse no dia seguinte. No dia 13 de novembro de 1822, às 10h00min horas, o major João José da Cunha Fidié, Governador das Armas, com tropas de 1º e 2º Linha e o Batalhão de Infantaria da guarnição da capital partiu de Oeiras em marcha acelerada para sufocar o movimento de Independência proclamado na Vila São João da Parnaíba. No dia 18 de dezembro de 1822 entrou com sua tropa na Vila São João da Parnaíba, encontrando as ruas desertas tendo em vista que o povo se trancara nas suas casas e ninguém ousou em sair para recebê-lo. Arrastando a artilharia e demais apetrechos de guerra percorreu as ruas desertas e mandou a tropa ficar perfilada em formação no Largo da Matriz com frente à Casa da Câmara para onde logo se dirigiu e dela exigiu a imediata renovação do juramente de fidelidade a D. João VI. Tomando conhecimento da adesão de Oeiras ao movimento brasileiro e a proclamação em Campo Maior por Leonardo de Carvalho Castelo Branco, resolveu o major Fidié deixar a Vila São João da Parnaíba no dia 1º de março de 1823 e marchar sobre a capital piauiense. Antes de sair expulsou todo o povo da vila enquanto os marinheiros do brigue Infante D. Miguel saqueavam as alfaias e dinheiro das igrejas, as jóias, o cofre dos Órfãos e os livros do Senado da Câmara. No dia 13 de março de 1823 o major João José da Cunha Fidié enfrentou as tropas brasileiras às margens do riacho Jenipapo onde saiu vitorioso. Atendendo pedido do Senado da Câmara de Caxias entra nessa vila a 17 de abril de 1823. De lá poderia refazer sua força militar e marchar sobre Oeiras. Em Caxias enfrenta tropas brasileiras saindo novamente vitorioso e lá permaneceu fortificando-se no Monte Tabocas aguardando auxílio da capital maranhense e de Portugal. Cercada novamente Caxias por tropas brasileiras a população decide pela capitulação depois duma reunião com o Senado da Câmara. Desgostoso com essa atitude Fidié demitiu-se do cargo e passou o comando ao tenente-coronel Luís Manoel de Mesquita. No dia 1º de agosto de 1823 o major João José da Cunha Fidié rendeu-se. Preso foi enviado oito meses depois entre uma escolta para Oeiras, sendo depois transferido para a Bahia e de lá passando ao Rio de Janeiro onde ficou encarcerado na fortaleza da Vila Ganhão até que D. Pedro I lhe deu a liberdade permitindo-lhe que regressasse para Portugal. Em 1825 foi nomeado primeiro comandante do Real Colégio Militar, e por vezes durante a ausência do diretor, ficou encarregado da direção deste estabelecimento até que, saindo de Lisboa e apresentando-se no Porto ao duque de Bragança, foi por ele nomeado subdiretor do arsenal daquela cidade. Regressando depois a Lisboa, foi diretor efetivo do Colégio Militar desde 1837 a 1848, ano em que teve a sua exoneração, reformando-se em 1854 no posto de tenente-general. Escreveu “Breves esclarecimentos acerca do Collegio Militar, oferecidos ás Côrtes, Lisboa, 1843”; “Varia fortuna de um soldado portuguez”.
Foi comendador da Ordem de Avis. Faleceu no ano de 1856.

Ilustração: Netto - Restauração feita a partir de uma gravura com baixa definição de imagem.

BATALHA DO JENIPAPO

LEONARDO DE NOSSA SENHORA DAS DORES CASTELO BRANCO. Nasceu Leonardo Carvalho Castelo Branco na Fazenda Taboca, município de Parnaíba, depois Barras, hoje Esperantina, em 1788 e faleceu em 1873. Político, cientista, militar, poeta, prosador e mecânico de gênio inventivo. Foi Alferes e Secretário da Divisão Auxiliar do Piauí. Envolveu-se nas lutas pela independência do Brasil. Participou do movimento separatista de Parnaíba. Em 1823 apoderou-se da Vila de Piracuruca e a 5 de fevereiro proclamou a Independência em Campo Maior, aclamando D. Pedro Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. Na fronteira de Estanhado (União) com o Maranhão foi traído, enviado para São Luis e depois para o presídio de Limoeiro, em Lisboa, Portugal. Foi anistiado em 1823. Devido ao seu prestígio com Dom Pedro, conseguiu patrocínio para a construção do seu invento – Moto Contínuo - que fracassou. Sua obra mais importante é A Criação Universal, com 4.247 versos.
"Para a ciência propriamente dita, sua obra não trouxe qualquer contribuição. Mas, por ser obra de um homem nascido e criado numa das mais rústicas Províncias do Norte do Império (Piauí), é de reconhecer-se que ele se superou a si próprio e honrou a terra natal"
(Historiador e Mons. Joaquim Chaves).

Nota do BitorocaraNews

Moto Contínuo - O que é? Um moto-contínuo seria uma máquina que operaria indefinidamente, sem consumo de energia ou ação externa, apenas por conversões internas de energia, ou seja, uma máquina totalmente conservativa, o que segundo os físicos não poderia existir porque toda máquina sempre dissipa energia, por menor que seja, mas dissipa. E essa energia perdida pode ser liberada em forma de calor, som, luz e etc.
Moto Contínuo - Para que serve? Se fosse possível construir tal máquina, os problemas energéticos do mundo estariam resolvidos, já que não apenas funcionariam sem o consumo de energia, como também gerariam energia para suprir nossas necessidades.

Ilustração: Netto - Caricatura (única) feita a partir de uma gravura
com baixa definição de imagem.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

BATALHA DO JENIPAPO


Acélio Correia "reproduz"


A guerra da Independência foi iniciada antes do Grito do Ipiranga. A jornada teve episódios bélicos de grandes dimensões, como os da batalha de Pirajá, na Bahia, na qual o Governador Inácio Luis Madeira de Melo foi derrotado pelo exército nacional de sete mil homens comandados pelo General francês Pedro Labatut (leia o perfil). A luta mais sangrenta ocorreu na batalha do Jenipapo, no Piauí, onde as forças leais a Pedro I enfrentaram o comandante de armas português João José da Cunha Fidié.
Qual foi a maior batalha da Independência: a de Pirajá, na Bahia, ou a do Jenipapo, no Piauí? Como o Sr. demonstra que ganhamos a primeira e perdemos a segunda? São pouco precisas e escassas, e em alguns pontos discrepantes, as informações sobre as forças em confronto nas duas batalhas. No entanto, cotejando dados de várias fontes de informação, pode-se dizer, de forma aproximada, mas com razoável grau de certeza, que a batalha de Pirajá movimentou quase 4 mil homens, e a do Jenipapo um pouco mais do que esse valor. O historiador José Honório Rodrigues não hesitou em afirmar que a batalha do Jenipapo “nada deve à de Pirajá” e que foi “a maior de todas da história da guerra da Independência”. Os “independentistas” ganharam a batalha de Pirajá, uma vez que a força atacante portuguesa foi rechaçada após sofrer um grande número de perdas. Com a derrota, a situação de Madeira se tornou mais crítica. A capacidade de luta dos portugueses se deteriora. A iniciativa de ataque português resulta em benefício dos patriotas. Confirma o isolamento logístico e fecha o leque de alternativas de ação possíveis para Madeira. Aumenta o desequilíbrio estratégico a favor dos sitiantes. Quanto à batalha no leito seco do Rio Jenipapo, a vitória de Fidié, governador das armas do Piauí, é indiscutível. Embora com um menor número de homens, a tropa do Governador das Armas, mais bem armada, disciplinada e contando com a experiência do chefe, impõe-se à dos “independentistas”. Fidié desbarata as fileiras inimigas. Suas perdas são bastante reduzidas se comparadas às do adversário. Mantém a iniciativa das ações, pode prosseguir na ofensiva. Mas, apesar de tudo – vale a pena aqui assinalar – ele se retira para o território maranhense alguns dias depois da batalha. Retrai-se ao invés de avançar. Se o sentimento de independência se propaga, se a sedição se espalha, como poderia garantir a vontade de Lisboa na província? Sem o apoio político das vilas e arraiais seria inevitável que a superioridade militar de que desfruta se degradasse em pouco tempo. A erosão da base política e social das forças fiéis a Lisboa, levando, por fim, ao estrangulamento logístico dessas forças, explica o contraste entre a vitória de Fidié no Jenipapo e o desenlace final da luta, com a vitória dos emancipacionistas, no Piauí e Maranhão". Trecho de entrevista concedida à Revista Bonifácio pelo historiador Fernando Diegues (almirante da Marinha Brasileira). O entrevistado é autor do livro "A Revolução Brasílica – O Projeto Político e a Estratégia da Independência"(Editora Objetiva), no qual refuta de vez o mito de que a Independência do Brasil foi um “desquite amigável” de Portugal.

Foto: http://www.teresinapanoramica.com/

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

BATALHA DO JENIPAPO

Após a luta na Batalha do Jenipapo, Fidié e seu Exército se alojaram na Fazenda Tombador, nos
arredores da Vila de Campo Maior, de onde, depois de recuperar as energias gastas durante o combate, se retiraram para Estanhado, atual município de União.
Elmar Carvalho

Em vez de tombamento
a protegê-la da usura,
sem limites e sem pudor,
e das mordidas vorazes
do tempo e do vento,
literalmente tombaram
a Fazenda Tombador.

Lançaram ao desabrigo,
em eterno e impiedoso castigo
os históricos fantasmas
do tempo da Batalha,
que ficaram ao relento,
expostos à chuva e ao vento
sem vestes e sem mortalha.

Quando literalmente tombaram
a Fazenda Tombador,
nenhuma voz se levantou,
nem mesmo a voz de alguém,
que clamasse no deserto, clamou.
E a Fazenda Tombador
Literalmente tombou.

Pela ânsia bruta da ganância,
da Fazenda Tombador, rediviva,
em nossa repetível retentiva,
restou apenas o retrato da saudade
numa redoma de dor.

Elmar Carvalho - Juiz de Direito, poeta, cronista, contista, crítico literário, acadêmico, e piauiense de Campo Maior

Localizado no Morro do Alecrim, foi antigo quartel de polícia, que abrigou as tropas do português José da Cunha Fidié e de Duque de Caxias. (Foto – Site Prefeitura de Caxias – MA)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Pe. CLÁUDIO MELO

Sobre as origens e povoamento das glebas do hoje município de Campo Maior, incontestavelmente, não se pode negar a valiosa e decisiva contribuição da família Castelo Branco.O início dessa família, pelo que se tem notícia histórica e documental, foi a partir da chegada ao Brasil de Dom Francisco Castelo Branco, e depois, por meio dos seus descendentes que se multiplicaram, principalmente, na região Norte do Piauí.
O “brasilianista” americano, John W. F. Dulles, no seu livro “Castelo Branco – O Caminho para a Presidência”, edição de 1979, nos fala sobre D. Francisco da Cunha Castelo Branco e afirma:
“Em 1693 o nome de Castelo Branco foi trazido de Portugal para o Brasil. Quem o trouxe foi Francisco da Cunha Castelo Branco, que recebeu de seu soberano a incumbência de reforçar a guarnição portuguesa da Capitania de Pernambuco. Após receber novas ordens quando se encontrava em Recife, Francisco seguiu para o Maranhão para ajudar na defesa dessa Capitania contra as incursões dos holandeses e dos franceses.

Com suas três filhas, ele sobreviveu a um naufrágio durante a viagem, mas perdeu sua esposa e seus haveres. Depois de chegar ao Maranhão, Francisco foi para o que é hoje o Piauí para a fim de recuperar-se de seus prejuízos através da agricultura e da criação de gado, ainda que tendo para isso de lutar contra bandos de gentios (índios)”.
Nos primórdios e períodos mais hostis das lutas de conquistas do Norte do Piauí e, notadamente, em Santo Antônio do Surubim (Bitorocara,Campo Maior), particularmente até 1713 não são encontrados registros da participação dos Castelo Branco. Ao que se sabe, a partir de 1714 é que se noticia sobre essa família, com o casamento de Manuel Carvalho de Almeida com dona Clara da Cunha e Silva Castelo Branco, filha de Francisco da Cunha Castelo Branco e de dona Maria Eugênia de Mesquita. Naqueles tempos era Manuel Carvalho de Almeida, Comissário Geral da Cavalaria do Piauí e havia sido companheiro e auxiliar imediato de Bernardo de Carvalho e Aguiar nas lutas pelas conquistas e pacificação do Norte da Província do Piauí.
De acordo com as afirmativas históricas do Pe. Cláudio Melo, o fundador de José de Freitas, “Manuel Carvalho de Almeida, é também pai dos Castelo Branco de Campo Maior”. Para outros historiadores, desse tronco genealógico, passando por Campo Maior os Castelo Branco penetraram para o Norte, chegaram aos municípios de Barras, Esperantina e ao litoral piauiense.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O CHARLES MULLER DE CAMPO MAIOR

O futebol campomaiorense teve o seu início na década de vinte. Ele foi trazido do Sul do país por Deusdedit Leite Mello. Nessa época, Deusdedit, de posse de uma bola e uma regra deu o primeiro pontapé para fundação de dois quadros de futebol com as cores azul e vermelho (prefiro vermelho e azul). Posteriormente, a partir dessa iniciativa, surgiram os Clubes Caiçara e Comercial que se profissionalizaram.
Deusdedit Leite Melo era próspero comerciante, juntamente com o irmão Agenor Mello. Foi presidente da Liga de Futebol de Campo Maior e faleceu em Teresina, de acidente automobilístico na década de1930. O Estádio de Futebol do Município recebeu o seu nome como forma de homenagear ao seu pioneirismo. Diga-se de passagem, um acanhadíssimo estádio que não faz jus nem aos gloriosos esquadrões do Caiçara e do Comercial, e muito menos ao homenageado, Deusdedit de Mello.

Charles Muller, o “ponta-pé inicial”.

Nascido no bairro paulistano do Brás, Charles Miller viajou para Inglaterra aos nove anos de idade para estudar. Lá tomou contato com o futebol e, ao retornar ao Brasil em 1894, trouxe na bagagem a primeira bola de futebol e um conjunto de regras. Podemos considerar Charles Miller como sendo o precursor do futebol no Brasil.

Aqui embaixo, vemos a foto do primeiro "esquadrão" fundado pelo empresário/desportista, Deusdedit de Mello em terras campomaiorense. Qual terá sido a coloração deste time?.


De pé:Osmar Costa Araújo, Cícero e Jaime Bona; ajoelhados:Laurindo Paixão, Walfredo Costa e Edson; sentados: Alípio Ibiapina, Agenor Mello, Deusdedit Mello, Antonino Costa Araújo e Cícero Portela.


domingo, 8 de fevereiro de 2009

O BODE DOS CARNAUBAIS

Time Vice-campeão do campeonato piauiense de 1969: em pé (da esquerda para a direita), Jesuíta, Beroso (goleiraço), Adjar, Gadelha, Cleiton, Sales e o mestre Antônio Neves (Técnico). Agachados (da esquerda para a direita): Luizinho, Vicentinho, Júlio, Cafuringa, Geraldino e o massagista Feijão com o mascote do time.

O Comercial foi fundado em 21 de abril de 1945, sendo seu símbolo um bode. Passou a profissional no ano de 1950. Entre outros, foram seus fundadores: Antônio Rufino de Sousa, José Neiva e Pedro Mesquita, que foram, respectivamente, os três primeiros presidentes da agremiação.
Na gestão do prof. Raimundo Andrade, o Comercial conseguiu o seu principal título: vice-campeão piauiense, em 1969.
Na gestão de Francisco de Paula Ribeiro, o escrete azulino foi o primeiro campeão do torneio Albertão.
Antônio Rufino de Sousa foi presidente do Comercial durante doze anos e o mestre Antonio de Pádua Neves foi técnico por quarenta e cinco anos.
Em 20 de abril de 1990 foi inaugurada a Sede Esportiva José Bona, conhecida como Toca do Bode, sob a presidência do comercialino Flávio Bona Andrade. É um belo patrimônio, amplo e digno. Vários torcedores e empresas contribuíram para que o sonho se tornasse realidade.
Sem dúvida, todos os dirigentes do Comercial deram sua contribuição para o engrandecimento do time, contudo, em face da necessidade de síntese, destacaríamos os seguintes presidentes: Antônio Rufino, Flávio Bona, José Cassimiro Neiva, Vespasiano Brito, Pedro Mesquita Furtado, Ernane Napoleão Lima, Milton Higino, Prof. Raimundinho Andrade, José Laurindo da Silva, Francisco das Chagas Moreira e Silva e José Acélio Correia.
Também foram comercialinos e dirigentes de escola: Agenor Melo, Chico Andrade, José de Assis, Hilson Bona, João Félix, Raimundo Soares, Geraldo Alves, Carlos Alberto Correia e José Olímpio Filho.
O mestre Antônio Neves, como já dito, foi técnico da equipe alvi-celeste por mais de quatro décadas, dedicando-lhe muito de seu tempo, esforço e zelo. Nunca, jamais, teremos um técnico que perdure tanto no cargo em qualquer time de futebol do planeta.

Elmar Carvalho - Poeta, escritor, cronista, crítico literário, membro da Academia Piauiense de Letras, jurisconsulto e piauiense de Campo Maior.

Esclarecimento: por falta de foto ou da arte, não foi publicado o atual escudo do "bode" mais querido de Campo Maior - depois do guizado de bode com leite de coco, claro!(joão de Deus Netto)

Foto: Museu do Paulo&BitorocaraNews

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

CARLITO, RUI LIMA, CORINTO E VENÍCIO LIMA. NAS CADEIRAS: HELTON ANDRADE, HENRIQUE LIMA E CARMENCITA CORSO. NO CHÃO: UM ANÔNIMO HÓSPEDE DO GERENTE DA CASAS PERNAMBUCANAS.

Início dos anos 70, aniversário da “prenda gaúcha”, Carmencita Corso que vemos na foto cercada de peões campomaiorenses, colegas do Colégio Estadual. Os Corsos eram recém chegados a Campo Maior, vindos de Ijuí [RS]. O patriarca, Artêmio Corso, veio participar da equipe que administrava o FRIPISA. Pelo visto, a foto deve ter sido tirada pelo irmão dela, Flávio Corso, que estava literalmente de olho nos faceiros portadores de alto nível de testosterona. Reparem no exibicionismo com os copos de “cuba libre” e na concentração do Corinto com a carteira de Holywood, pensando: -“ Vou já fingir que sou o mais educado e o mais tímido desse bando de abestado”.
O Venício radicalizou: foi lá fora e arrancou a metade dos botões da camisa.
O, “sóbrio” Carlito brincava com o Rui, porque que ele bebia tanto: -“ Tu larga essa maldita, infeliz!”.
-“Vou tomar só mais essa, na volta agente toma só mais umas seis “meiota” de Mangueira com cajá ali na esquina do Estadual (colégio), e pronto. Amanhã vou me apresentar no 25 BC, em Teresina”, justificou o filho mais velho do ex-prefeito Mamede Lima. O Rui hoje só bebe mineral, e sem gás. A Carmencita é jornalista em Brasília. O Henrique atendeu um chamado de Deus. O “balula”, hóspede, do Sr. Joãozinho da Pernambucana, sumiu, escafedeu-se.
A nota triste da festa ficou por conta das traças que devoraram o rosto do Helton Andrade, irmão do Hélder da Big Pão. Não tem Photoshop nenhum que restaure essa foto; só uma montagem com outra foto. Sei não: acho que não foi traça, não; tenho quase certeza de que foi hormônio.
Só um breve esclarecimento para os conterrâneos: “prenda”, no “gauchez”, é a moça gaúcha, a namorada, num sinônimo de jóia ou valor muito estimado. Peão é o seu parceiro.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

ZÉ HENRIQUE

Elmar Carvalho
Até sua aparente zanga, nas discussões e polêmicas que, às vezes, provocava, era apenas um artifício para apimentar a conversa e reavivar suas amizades, com o tempero da paixão e da ênfase. Após o debate, era o mesmo velho amigo de sempre, sem nenhuma mágoa, sempre prestativo, sempre disposto a fazer os favores que estivessem a seu alcance, e muitas vezes nem estavam, mas ainda assim ele os fazia. No entanto, se desconfiasse que havia, mesmo de leve, magoado o interlocutor, pedia, da maneira mais natural e simpática, desculpa ou mesmo perdão, se necessário, com o seu carisma inato e espontâneo.
Muitas dessas discussões giravam em torno dos descaminhos da má política, porque Zé Henrique possuía a capacidade de se indignar contra os demagogos de plantão, contra os hipócritas que vivem de iludir a boa-fé das pessoas humildes, contra os ladrões das finanças públicas.
Embora não fosse um erudito, era bem informado, supinamente inteligente, de raciocínio ágil e arguto; conversar com ele era uma ginástica mental instigante e agradável.
Parece que tinha a premonição de partir cedo deste mundo. Muitas vezes me disse isso. Perto de sua morte, como se esse presságio estivesse ainda mais forte, instruiu seu filho sobre alguns deveres e cuidados. Visitou a casa de uns amigos, onde fez questão de entrar no quarto do patriarca, falecido há pouco tempo, evocando-lhe a lembrança. Disse à viúva que não se preocupasse, porque onde o seu marido estivesse, estaria melhor do que neste planeta.
Na tarde que antecedeu o seu desenlace, telefonou-me sobre um assunto de família, e revelou-me ter se reconciliado com uma pessoa querida, de quem estivera distanciado.Também visitou outros amigos, entre os quais o dono de um barzinho, a pretexto de perguntar se estava devendo alguma cerveja, o que me fez lembrar o episódio sublime da morte de Sócrates, que, ao tomar o cálice mortal de cicuta, pediu a um de seus amigos que pagasse um galo, que estava devendo.
O poeta Carlos Drummond de Andrade disse que a sua Itabira era apenas uma fotografia na parede, mas como doía. Direi, citando-me a mim mesmo, que Zé Henrique jamais será uma fotografia na parede, mas me acompanhará, em minha memória e em minha saudade, cada vez mais vivo.
Na hora da saída do féretro, do alpendre da casa paterna, onde tantas vezes estivemos em momentos felizes, seu pai lhe depôs um beijo na testa, e lhe abriu, pela derradeira vez, os grandes olhos azuis, como se dissesse: "Cuidado, rapaz, ainda continuo sendo o teu velho pai, que te ama muito!"
Reviu, pela última vez aqueles olhos azuis, que nos fitavam de forma penetrante, como se quisessem decifrar e perquirir o que ia no mais profundo de nosso ser. Os olhos eram azuis, mas o sangue e a alma eram vermelhos, como as cores guerreiras do glorioso Caiçara Esporte Clube, de que éramos torcedores.
Relembrando os antigos filmes de bang bang, exibidos no velho Cine Nazaré, que em minha memória remanesce intocável, diria a esse companheiro inesquecível:
- Hasta la vista, amigo.

Helmar Carvalho - Poeta, escritor, cronista, crítico literário, membro da Academia Piauiense de Letras, jurisconsulto e piauiense de Campo Maior.

A PRIMEIRA MULHER PREFEITA

Professora, nasceu em Batalha[PI] a 01/02/1897 e faleceu em Teresina. Filha de Raimundo Francisco Alves e de Raimunda de Menezes Alves. Exerceu o cargo de Prefeita de Campo Maior de 27/12/1934 à 30/10/1935 (há evidências de que foi até 08/11/1935). Em declaração fornecida pelo Prefeito João de Deus Torres em 07/10/1966, o período é de 29/12/1934 a 29/06/1935. Este documento está incorreto, uma vez que a Vicência assinou várias portarias após esta data de acordo com o documento que estava em poder do falecido jornalista e escritor Reginaldo Gonçalves. Ela foi nomeada pelo governador da época e sua posse ocorreu em 27/12/1934, presidida pelo Bispo Dom Severino Vieira de Melo, de Teresina. Foi tida como boa e austera administradora. Por despacho do Ministério Público, a partir de 31 de julho de 1956, teve seu nome retificado para Vicência Alves Cavalcante. O seu título de Professora Normalista e Diploma foi expedido pela Escola Normal de Teresina em 10/01/1918, atividade (Professora) que exerceu em sua terra natal por nomeação do Governo do Estado do Piauí em despacho de 10/03/1919.
Na foto, no fundo do quadro da prefeita Vicência, vemos, em 1915, a fachada da Casa Alves, o estabelecimento comercial do coronel Chico Alves, maior exportado de cera de carnaúba da região e um dos maiores comerciantes do Estado do Piauí daquela época. Vê-se também produtores rurais tocando seus animais, de saída para o campo, depois de venderem suas produções do pó extraído da folha da carnaúba, de onde tudo se aproveita.
Era campo Maior dando seus primeiros passos para se consolidar como o maior exportador desse produto no Piauí, e o segundo do Nordeste. Até hoje.
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