Elmar CarvalhoOs que desejam empanar a Glória da Batalha do Jenipapo, como se um caco de vidro pudesse ofuscar o fulgor do Sol, afirmam que o comando dos Heróis do Jenipapo teria cometido um erro de estratégia, pois deveria ter adotado a tática de guerra de guerrilha. Tenho a convicção de que tal assertiva não procede. A topografia do percurso de Piracuruca a Campo Maior não é acidentada; ao contrário, é composta de tabuleiros e chapadas, sem desfiladeiros e sem elevações relevantes. Também não possui densas florestas, mas apenas uma flora rala, aberta, o que não é um cenário propício para uma guerra de guerrilha, que se fundamenta em surpreender o inimigo, sobretudo em locais desconhecidos por ele, através de armadilhas e emboscadas e ataques relâmpagos e furtivos, que mais se acomodam a terrenos acidentados, como serras, socavões, desfiladeiros, gargantas, e florestas fechadas. E essa não é a paisagem do trajeto percorrido pelas tropas de Fidié. De qualquer sorte, a tática de guerra de guerrilha foi usada, sim, tanto pelo tenente Simplício José da Silva como por outros comandos, porém posteriormente à Batalha do Jenipapo, em terreno mais adequado a essa metodologia bélica. Portanto, o senão apontado não passa mesmo de um senão desprezível, diante da grandeza épica, do sacrifício altruístico e do idealismo patriótico dos Heróis do Jenipapo.
O tenente Simplício José da Silva é uma das grandes admirações de monsenhor Chaves, tanto que é uma das figuras de destaque de seu livro "Apontamentos Biográficos e Outros". Diria que é um dos mais notáveis campomaiorenses, uma vez que foi um dos maiores heróis da Batalha do Jenipapo. Mesmo após esta, continuou no encalço de Fidié, fustigando-o, em verdadeira guerra de guerrilha, nas escaramuças que lhe armava. Aliás, com essas e outras escaramuças e com a apreensão da bagagem bélica de Fidié, a vitória deste terminou sendo uma verdadeira vitória de Pirro, porquanto teve que fugir ao seu desiderato e roteiro original, que demandava Oeiras, seguindo para Aldeias Altas, hoje Caxias - MA, onde foi sitiado e derrotado, com a participação decisiva dos Heróis do Jenipapo. Após a luta, o caos se instalou na Vila de Santo Antônio do Surubim dos campos maiores, como costuma acontecer após grandes lutas, através de assaltos, assassinatos e outros crimes. Quem restabeleceu a ordem e o império da legalidade, com mão firme e enérgica, foi o nosso heróico e bravo tenente Simplício José da Silva, que hoje jaz no mais completo, injusto e lamentável esquecimento, não fora a obra de padre Chaves, a resgatá-lo das lamacentas águas do Letes da História.
Também não pode ficar no esquecimento Lourenço de Araújo Barbosa. Rábula inquieto e combativo. Idealista abnegado, um dos maiores propagandistas de nossa Independência, através das pregações que fazia e dos panfletos que publicava e distribuía, tendo mesmo chegado ao ponto de fabricar pólvora em Campo Maior. Foi perseguido pelo seu idealismo, mas se manteve firme em sua trincheira publicista, podendo ser considerado um dos grandes heróis da Independência do Brasil em terras piauienses.
Elmar Carvalho - Juiz de Direito, poeta, cronista, contista, crítico literário, acadêmico, e piauiense de Campo Maior
Os "Dideus" nas Batalhas
João de Deus Netto
Meu bisavô, João Cândido de Deus e Silva, foi alferes na Guerra do Paraguai. Vi a farda quando a encontraram em um baú na casa da minha vó Luiza, por ocasião da sua morte, lá na Rua do Sol (Padre Fábio); foi uma dificuldade pra tirá-la do baú; estava pronta pra se fragmentar pelos fungos da velhice; essas coisas. Se não me engano, depois de restaurado, esse uniforme foi parar no tal “museu do jenipapo”, quando da inauguração do monumento - era o propósito; não sei se foi concretizado.
O surpreendente nessa história, Elmar? Meu bisavô, pai do vô Dideus; avô do meu pai Zé Dideus, também tinha o mesmo nome do Juiz de Fora de Parnaíba e figura de destaque desse movimento libertário, João Cândido de Deus Silva (os Dideus da época eram bem belicistas!). Tal qual o paraense da batalha, o João Cândido de Deus e Silva, da Vila de Campo Maior tinha sangue português; só que, lutou pelo já independente Brasil.
Estava “profetizado” com sangue, então, que, 184 anos depois, outro Dideus tinha que fazer numa tal de internet, um panfleto eletrônico(?) com essa finalidade: contar da história e dos costumes do povo de Campo Maior.
Estou tentando. Na Paz!












